terça-feira, 7 de junho de 2011

Mr. Perfeito

Escreve sobre mim o mesmo tanto que escrevo sobre você. Mais, se eu tiver sorte.
Descreve meu cabelo, meu sorriso, minha boca. Diz que tom de cereja são maus lábios franzidos e o quão brilhante é o chocolate dos meus olhos sem graça. Fala de manias que eu nem sabia que tinha e da leveza dos meus tapas. Seja ousado e fale do meu corpo, das minhas pernas... Fala como você se perde em mim e seus olhos me fitam sem perceber. Fala como você imagina que me tocar deve ser.
Me descreve, me desvenda, me fala, me conta, me diz tudo o que eu sempre quis ouvir. E some.
Some no meu último suspirar consciente, Mr. Perfeito. Some no meu fechar de olhos. Some porque você não passa de sonho.





Mas, Mr. Perfeito, só não demora a virar realidade que sonhar às vezes cansa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Esse barulho é do coração, ok?

Um toque. Acidental. Um encontro banal de tecido epitelial que reveste vasos sanguíneos casa vez mais acelerados em resposta ao aumento do meu ritmo cardíaco. Tum-dum, tum dum, tumdum...
Um pedido de desculpas ou o vazio? Vou com o vazio. Um olhar que deveria ser significativo, mas só demonstra nervosismo. Tum-dum, tum dum, tumdum, cada vez mais rápido.
O que é isso que você causa em mim? Por que essa perda de racionalidade, de palavras? Por que as mãos suadas? Por que só com você? Tum-dum, tum dum, tumdum...
Um sorriso de ambos. Um sorriso ambíguo. O seu é um fraco pedido de desculpas que eu gostaria que significasse o quanto se importa comigo. O meu, o reflexo de uma timidez guardada a sete-chaves que tenta demonstrar, debilmente, indiferença. Tum-dum, tum dum, tumdum...
Se vai. Me recomponho, coloco o cabelo detrás da orelha e sigo calada, indiferente com as mãos suadas. Tum-dum, tum-dum... Meu coração volta ao seu compasso normal. Respiro fundo. Prossigo. O cabelo revolta-se novamente, por ter voltado para detrás da orelha.
Um toque. Acidental. Um silêncio. Um sorriso. Um tchau subentendido. Tum-dum, tum-dum, tum-dum...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sim, é pra você

Sabe que, tem gente que acha que os momentos ruins anulam os bons, mas eu não acho que seja verdade. Quando eu penso em você, penso com um pouquinho de tristeza, uma pequena dose de melancolia até. Mas também me recordo com um sorriso estampado no rosto, todas as coisas boas que você já me disse um dia, todo riso que você provocou e que muitas vezes você mesmo foi o motivo. E tem certas músicas, fotos, textos, dias que me lembram você. E um bigode, uma camiseta, um tênis e um céu azul. E uma cerveja, uma ex namorada, uma banda e um bairro. E uma cidade inteira, um jornal, uma entrevista, um país! Um sobrenome, um nome, um apelido, outra banda e cabines telefônicas. Uma flor, e pintinhas, coisas xadrez, amarelo, bicicletas, sem freio. E uma teoria, que está certa. Eu vou descer essa ladeira sozinha, eu e minha bicicleta sem freio.

Rua da Seda

Eu vi quando ele sentiu o celular vibrar no bolso da bermuda xadrez. “Estou te vendo”, eu disse. “E onde você está?” disse ele enquanto começava a  procurar. “Sabe uma garota de vestido branco que está do outro lado da rua?”
“Sei.” Ele olhou na minha direção.
“Bom, sou eu.”
“Que mentira!” Ele apertou os olhos. 
“Então vem aqui checar”, eu disse enquanto segurava o riso.
Esperei pelo que me pareceu uma eternidade, até que o sinal fechasse e ele atravessasse a faixa de pedestres. E conforme ele ia se aproximando, um sorriso travesso foi surgindo em seus lábios, em seus olhos. “Menina, mas você…” e, mais uma vez, não deixei que ele concluisse. Pulei e envolvi minhas pernas ao redor de sua cintura. “Me beija”, eu disse. E assim ele fez. Me deu um beijo que me tirou o fôlego e um pouco do juízo, e me fez sentir um calor se espalhando por todos os cantos do meu corpo. 
“Ei, mas você está de vestido!”
“E daí?”
Ele riu.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dor de cabeça

Amor pra mim é como dor de cabeça. Começa fraquinho e você vai ignorando com a fraca certeza de que vai passar. Dera-me fosse assim fácil. Só aumenta. Quanto mais você ignora e mais você tenta se convencer do contrário mais insistente ele fica e quando você se dá por conta está fazendo textos com analogias estúpidas.

sábado, 14 de maio de 2011

Verbos - Parte 1

Pegue uma mecha do meu cabelo. Brinque com ela até que a textura não o satisfaça mais. E solte. Deixa ela voltar pro meio desse emaranhado na minha cabeça. E me olha.
Me olha calado e faz eu me apaixonar por esse seu silêncio atípico. Fica calado e me deixa. Me deixa ir mudando teu rosto até que não seja mais você, até que eu reveja o rosto de cada um que já segurou uma mecha do meu cabelo.
Daí pega minha mão e sorri. Me deixa ver o jeito como seus olhos quase fecham e esses seus dentes que nunca tiveram uma cárie. E fica calado. Fica calado porque palavras atrapalham, saem sem que a gente queira e elas me fazem soar boba.
E vai embora. Vai embora calado como eu te pedi e me deixa assim. Uma mecha diferente das outras, uma mão caída no colo, uma frase presa na garganta.

"Fala algo seu besta"