sexta-feira, 13 de maio de 2011
Banga eu
Mal entrei no bar e te vi de primeira. Você tava no canto, com aquela sua cara de homem sério que até rindo você tem. Eu acho isso tão lindo. Você tava só, eu tava só também, demorou um certo tempo pra você me notar ali. Eu tava na minha mesa, evitando olhar pra você, mas acho que é mais forte que eu. Com o canto do olho eu vi você se levantar e vir em direção a minha mesa. Cara, na hora eu voltei no tempo, voltei a ter doze anos de idade. Por dentro eu tinha congelado, meus olhos queriam pular do meu rosto, minha boca queria enconstar no chão, minhas mãos queriam se agitar como as mãos de uma mulherzinha quando vê liquidação no shopping. Do lado de fora, apenas um sorriso. E quando você começou a falar e o assunto começou a fluir, eu não conseguia relaxar. Olhar você já era tão tenso, tentar puxar um papo no msn era tão dificil, mas ter você na minha frente e conversando comigo era realmente algo que me deixava ansiosa. Eu não sei o que é que há com você, e porque você exerce isso sobre mim. Mas eu e você, ouvindo a tipica musica alternativa do Banga Bar, me deixou com vontade de ficar ansiosa mais vezes.
Quero
Te abraçarei toda vez que me pedir e quando não pedir também. Te beijarei no rosto ao amanhecer e em qualquer outra hora do dia também. Te darei amor nas quatro estações do ano e pegarei na sua mão quando menos esperar. Vou mexer no seu cabelo até você dormir. Quero ser o momento mais esperado do seu dia, a pessoa que você quer ver no final da caminhada. Quero me queira feliz, triste, emburrada, que me queira com qualquer humor, cure a dor que for. Quero ser o pingente que você carrega no pescoço, o motivo do seu sorriso, a imagem que reflete nos teus olhos. A pulseira do Senhor do Bomfim que você usa, a flor que você leva nas mãos. Eu nunca quis muita coisa, você sabe. Eu nunca quis SER tanto pra alguém. O uso abusivo do verbo querer é errado? Querer demais é pecado? Então usa e abusa e quer e peca comigo, porque te quero bem demais.
Manias
Nunca entendi sua mania de que quando eu digo "Ótimo, tá tudo ótimo" você realmente acreditar nisso. De agir como se eu não importasse, de sorrir amarelo quando faz porcaria porque você acha que com qualquer graçinha vai se ver livre. Detesto que as vezes isso seja verdade.
Nunca entendi sua mania de escolher perfumes, camisas caras, de franzir a boca quando está sem paciência e franzir o cenho quando eu olho pro outro lado, porque eu sei que essa franzida boca é pra mim.
Mania irritante de agir como criança e me tirar tanto a paciência que eu acabo agindo do mesmo jeito, mania de só vir falar comigo quando precisa e me olhar cabisbaixo quando sabe que tá muito ferrado. Odeio esse seu jeito, mas o que eu mais detesto e abomino é essa minha mania de você.
Eu realmente preciso trabalhar nisso.
Gostos
Gosto do seu casaco. E dos seus óculos. Gosto do seu sorriso tímido e do jeito como desvia o olhar quando eu olho de volta pra você. Aposto que você reza pra que eu não veja isso, e eu finjo não ver, mas, sweetie, você não passa despercebido.
Gosto do jeito como você me olha e me sopra beijos, do jeito como você anda e ri. Gosto das suas perguntas e mais ainda das suas respostas. Acho tão fofo como você arregaça a manga do casaco e tenta fazer pose de machão e eu sorrio, daí você fica nervoso e agora eu já estou rindo de você.
Gosto como pra você sempre pareço estar bonita, ou pelo menos apresentável, gosto do que sinto quando você me fala uma graçinha. Gosto do seu nome. Gosto de você.
Gosto de não ter certeza. Sabe, certeza de você. Gosto disso. Só não gosto que o meu gostar se resuma numa coisa: Platônico.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Nossa janela
Eu gosto de andar de carro. Sem rumo. Só sentar, abrir a janela dependendo do tempo e ligar o som. Mudar a estação várias vezes até desistir e colocar um CD que eu mesma fiz, com as minhas músicas favoritas. Mas esses passeios não são a melhor parte.
Eu gosto mesmo é de passar na frente dos prédios luxuosos da orla durante a noite, quando as luzes das casas ainda estão acesas e olhar as pessoas debaixo dos seus lustres chiques numa mesa de jantar enorme.
Eu saio assim pra ver se eu te acho. Eu já te vi uma vez, de dentro do meu carro, você tava deitado, aparentemente sem camisa e com os cabelos bagunçados, assistindo TV. Seu quarto é branco e sobre uma prateleira tem uma bola de futebol gigante, aqueles pufs customizados, não é? Eu sei, eu vi. Eu gosto mesmo é de passar na frente do teu prédio, ou pelo menos fingir que eu sei qual prédio é. Ele vive mudando, ultimamente é um sem varandas com enormes janelas de um vidro esverdeado com o nome daqueles castelos franceses. Gosto desses nomes.
Eu passo lá na orla faz tanto tempo que virou rotina, eu olho pra todas as janelas que eu consigo, esperando ver aquela bola de futebol que já rondou meus sonhos onde eu e você estavamos deitados em cima dela. Você ficava me olhando e nada mais. Eu não sei como você se parece, mas sonho com você assim mesmo.
Me sentia idiota logo de início e depois a sensação foi passando. Foi mudando pra uma familiaridade meio esperançosa de que eu fosse te encontrar. Uma certa curiosidade de saber como seria se a gente se conhecesse, se eu soubesse seu nome e talvez até te desse um apelido. No momento tudo o que eu tenho é a sorte de que você acenda luz e me deixe ficar com você, mesmo que seja só através de um janela.
Nossa janela.
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